crise.

 Nós enquanto seres pensantes não paramos de pensar por um segundo sequer. Sempre estamos pensando sobre algo, por mais fútil ou sem sentido que seja este algo.

Um problema gigantesco que vejo sobre sermos conscientes desta maneira, é o fato de que algumas pessoas, assim como eu, não param de pensar sobre o que os assola. Sobre o que os faz mal, o que os destrói a cada segundo.

Pensar, de uma maneira geral, se torna um problema gigantesco a partir do momento que você percebe que seus pensamentos não estão apenas na sua cabeça. Estão indo para suas extremidades, as deixando inquietas, pelo único e exclusivo fato de que você não consegue parar de pensar.

Isso geralmente vem acompanhado de uma sensação no peito, uma sensação de tristeza e medo. Uma sensação de que há um dragão cuspindo fogo dentro de você e isso está te queimando e corroendo a todo segundo.

Desta sensação de medo, muitas vezes também ocorrem algo que chamamos popularmente de crises. 

Ah, é... as crises. 

A vontade de chorar que te consome a cada merda de segundo, a vontade de querer destruir tudo à sua volta pelo único e simples fato de que você não consegue mais respirar para poder pensar de maneira apropriada. A sensação de que todos os seus fantasmas passados e presentes estão ali, bem ao seu lado, olhando sua decadência e vendo você se autodestruir com seus cigarros, com o álcool, com todas as drogas diárias que você consome em excesso simplesmente para parar com esta sensação.

Eu particularmente tenho passado por isso tem alguns meses. Sinto como se estivesse rodeado por sombras negras, sombras estas que me assistem enquanto olho para o abismo e, por consequência, assistem o abismo olhar de volta para mim.

Durante algumas dessas crises já tentei me destruir. Já tentei simplesmente por um fim em tudo isso, mas de nada adiantou. Quando falhei, me senti um completo e total inútil por ter falhado na única coisa que eu poderia ter feito de certo na minha vida toda. Ou talvez não...

O fato de pessoas que sofrem com isso diariamente tentarem se matar, não é porque elas querem acabar com elas mesmas. Não, está bem longe disso. Elas querem simplesmente acabar com o dragão dentro delas, acabar com o fardo de sua própria existência, considerada por elas mesmas uma tortura.

Caso você não sofra com isso e não esteja entendendo uma única palavra do que quero dizer, darei um simples exemplo:

Se imagine em uma masmorra com um carrasco. O carrasco, fazendo seu trabalho, vai te torturar até o momento que você não aguentar mais, vai acabar com todas as suas esperanças de continuar vivo de alguma forma. Ele vai abrir feridas em você, ver o que tem dentro. Vai cortar você com instrumentos que você sequer sabia da existência antes daquele momento.

É assim que alguém com ansiedade, depressão, ou qualquer doença psicológica se sente.

Um de meus artistas preferidos, Bo Burnham, deixou sua carreira no Stand up Comedy por causa desta sensação. Ele sofria de ataques de pânico no palco, o que fazia com que ele acabasse sendo rude, muitas vezes até com motivo, com seu público. Ele sempre se recuperava de maneiras majestosas, como o bom artista que ele sempre foi. Mas, mesmo assim, ele é o melhor exemplo que eu posso dar sobre isso.

Ainda falando sobre ansiedade, pense como é: você tem tantas opções do que fazer, tem tantas ideias ao mesmo tempo, que as vezes você simplesmente não põe em prática por estar pensando em muitas coisas. 

É a mesma sensação de ter corrido uma maratona. Você pensa, pensa, pensa e pensa. Chega em um ponto em que você está cansado de pensar e isso acaba afetando seu físico também. Você não aguenta mais ficar inquieto mental e fisicamente, não aguenta mais pensar sobre as mesmas coisas repetidas vezes. 

É de fato muito difícil falar sobre essas coisas, sinceramente, tudo isso é mais sobre como eu me sinto. Afinal, pra que mais serviria este livro senão para falar de mim? Eu sou o centro das atenções nisso, é um livro sobre a porra da minha cabeça. 

Talvez eu esteja fazendo isso para entender como ela funciona, como ela pensa, como eu me sinto. Afinal de contas, nem eu mesmo sei o que está acontecendo. Parece que eu não tenho mais vontade própria, parece que nada mais me satisfaz da maneira que costumava satisfazer anos atrás. Bom, em suma, parece que eu cresci, de uma maneira ou de outra. Haha.

É difícil estar preso dentro da minha própria cabeça as vezes, pensar sobre todas essas coisas e as vezes simplesmente não pensar em nada. O fato é, eu penso tanto sobre tudo que quando me encontro em um silêncio mental, isso me incomoda. Parece uma briga entre minha ansiedade e a minha depressão. Ambas lutando para ver quem terá o controle dessa carcaça vazia e podre que eu tenho a audácia de chamar de corpo. O meu medo não é que elas briguem, o meu medo é a consequência dessa briga.


Não é usual, mas, ao invés de encerrar este capítulo com uma frase de um escritor ou pensador qualquer, quero terminar com um agradecimento.

"eu realmente tento ficar feliz, e eu acho que eu conseguiria se eu não entrasse em pânico toda vez que eu estou infeliz."

- Bo Burnham, Make Happy (Especial netflix)


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